sábado, 28 de novembro de 2009

Cultura Organizacional e a GESTÃO DE RELACIONAMENTOS

    CHAGAS, Daiana W


           Para analisar os novos paradigmas das organizações e da comunicação torna-se imprescindível, investigar, abordar os conceitos e os processos de evolução das culturas organizacionais. A  cultura organizacional vem sofrendo inúmeras mudanças, assim, o processo de relacionamentos, através da comunicação, assume uma posição estratégica nas organizações, construindo sentidos, significados e ações.

          A identificação e o reconhecimento da cultura organizacional,  para a analise das situações e perspectivas, são geralmente as primeiras ação a ser efetivadas pelo comunicólogo é o conhecimento dos públicos, políticas, crenças, história, conflitos e símbolos. O reconhecimento é uma necessidade básica de toda organização, para o planejamento é uma ação essencial e para se administrar  as mudanças, a cultura e os relacionamentos, torna-se fundamental. Visto que, as empresas estruturam a sua cultura através de diversos símbolos, rituais, mitos, heróis, histórias e tabus, os quais são fatores que influenciam nas mudanças organizacionais. Essa interação simbólica nas organizações favorece os relacionamentos interpessoais. 
         Outro fator que influencia na cultura organizacional são as novas tendências como, por exemplo, as tecnologias. Mas, muitas empresas não estão preparadas para aderir a estas novas tecnologias, devendo passar por treinamentos e por um processo de transição e implantação de uma nova cultura. Por ser formada por todos as pessoas que a constitui, uma empresa enfrenta problemas culturais quando deseja mudar de uma “empresa familiar” para uma empresa de uma “gestão moderna”, ou quando novas políticas administrativa são implementadas. Esses são alguns casos em que a cultura organizacional é um fator que deve ser sempre analisado e planejado, com cautela pelos comunicadores. Para Alves (1997, pg 119) a obtenção do apoio de pessoas que vivenciaram a cultura anterior da empresa, para que elas atuem como mediadores simbólicos entre os instantes culturais, antigo e novo, pode contribuir para a consolidação da cultura- desejada sem rupturas ou conflitos profundos.
            Para interpretar e diagnosticar a realidade de uma empresa é necessário conhecer primeiramente a  cultura empresarial, a cultura dos públicos, os seus valores e também as suas crenças. A cultura segundo os estudiosos é o que a organização é. Mas, para saber o que a organização é, precisa-se saber qual a imagem que esta tem, qual a sua reputação e principalmente, que identidade possui perante seus públicos.
            As organizações passam por mudanças, em vista de crises, expansão de negócios, introdução de novas tecnologias, novos nichos de mercado, enfim essa transação cultural influencia todo o contexto da organização, desde as suas crenças, política, formas de comunicação até mesmo no comportamento e na identidade. As mudanças devem ocorrer, sim! E são muito importantes para as pequenas, médias e grande organizações. Mas, jamais deve-se se deixar de lado as experiências e os conhecimentos adquiridos. As mudanças organizacionais deve na maioria dos casos acrescentar e não mudar totalmente. A história da organização faz parte do contexto da cultura organizacional e, por isso, a importância dos processos de treinamento, identificação de lideranças e a identificação das crenças, valores. A cultura é o que a organização é, como já havia mencionado, por isso, como uma organização, somos o que acreditamos, o que fazemos, idealizamos e pregamos.
        A imagem que vendemos é a cultura que obtemos e oferecemos. As pessoas identificam as organizações pela cultura que demonstram ter. Assim, observamos organizações preocupadas em serem sustentáveis, em desenvolver programas de cidadania, responsabilidade ambiental, investimentos maciços em comunicação interna e externa. A cultura é tão importante quanto aquilo que a organização produz.
            Para Kunsch (2009), a cultura organizacional faz parte dos processos organizacionais que atuam como elemento fundamental na construção e reconstrução das relações sociais das organizações. Para o profissional de Relações Públicas a cultura e os valores organizacionais são fundamentos e pontos de analise básicos para o planejamento estratégia da comunicação
            Devemos levar em conta que os valores humanos, valores das pessoas que trabalham na organização afetam a cultura organizacional. Após este conjunto de informações, se pode diagnosticar a cultura da organização, lembrando que a cultura organizacional oscila e tende a sofrer mudanças, mas muitas organizações por manterem uma identidade forte e legitimada perante seus públicos, possuem uma cultura organizacional reconhecida e estabelecida pelos seus públicos. E ao sofrerem mudanças, nem sempre a cultura organizacional sofre alterações e interferências.
            Cultura organizacional, segundo Alvez (1997, pg 03), é o complexo de padrões de comportamentos, hábitos sociais, significados, crenças, normas e valores selecionados historicamente, transmitidos coletivamente, e que constituem o modo de vida e as realizações características de um grupo humano. Ao passar das décadas, a importância de se ter uma cultura organizacional legitimada nas organizações, fez com que estas sentiram a necessidade de criar departamentos de comunicação e relacionamentos com os públicos, onde, programas, planejamentos e projetos voltados para este fim passaram a serem desenvolvidos. É muito comum em grandes bancos, organizações, cooperativas, rede de lojas, um departamento de relacionamentos e a preocupação com a cultura organizacional. Pois, cada vez mais as pessoas, que fazem parte de uma rede, necessitam se relacionar com o meio no qual estão inseridas.
            Muitas organizações/empresas fecham as portas, pois não conseguem  reposicionar a sua marca, perdem clientes e a imagem organizacional passa a ser identificada negativamente pelos seus públicos. Mas, aquelas que mantinham uma política de relacionamento com os seus públicos ou procuraram através de estratégias manter bons relacionamentos, não só continuaram com suas portas abertas, mas  reposicionaram-se no mercado, conquistaram novamente seus clientes, reconheceram seus erros e através das relações públicas, mantiveram as políticas de relacionamentos. Não deveria ser dessa forma, mas muitas organizações só percebem o quanto a gestão de relacionamentos e a comunicação são capazes de mudar situações de crise, quando estão no meio do “turbilhão”. Correr esse risco faz com que a organização/empresa perceba tarde demais que não estava projetada para expandir, sofrer mudanças e ser competitiva.  
              Percebemos a importância da cultura organizacional, nos momentos em que muitas organizações/empresas passam por  transformações, mudanças e  influencias em  meio à globalização, crises, fusões e aquisições, podendo conforme suas políticas comunicacionais cada vez mais melhorar seus índices de competitividade e relacionamentos. Para que isso aconteça, elas dependem quase que exclusivamente dos relacionamentos entre as pessoas que fazem parte da rede da empresa (públicos). Neste processo de gestão o olhar estratégico para determinada situação, analise situacional e para as políticas comunicacionais, compõem o trabalho das relações públicas na construção de relacionamentos e para a passagem de um processo, sofre a sustentação da cultua organizacional.
            Numa sociedade contemporânea, moderna e virtual na qual nos encontramos, os relacionamentos são diversos, as formas de dialogo são inúmeras, mas as controversas, as crises, desastres ambientais, boatos e escândalos também. As organizações assim como as pessoas vivem e sobrevivem de imagem, credibilidade, confiança e de mudanças.

              A cultura atua sobre as atividades, políticas, serviços, comunicação e empregados. Assim, posso dizer que uma organização sofre múltiplas influencias de vários meios, estes internos e externos, os quais compõem a cultura da organização. Que as empresas não só devem, mas precisão e devem desenvolver relacionamentos com seus públicos é fácil perceber, mas é difícil e complexo para muitas empresas criar os seus programas de Gestão de Relacionamento e a inserção de novas culturas. Pois, nem todas estão estruturadas e preparadas com profissionais que trabalhem com estratégias de relacionamento e possuem uma visão moderna dos seus públicos. Para estabelecer relacionamentos, o profissional de relações públicas é o mais indicado em vista de seu perfil e a sua qualificação. O uso estratégico da comunicação é capaz de qualificar praticas gerenciais, melhorar o desempenho operacional, promover mudanças significativas nas relações da instituição com os seus diversos públicos e agregar valor a organização. As relações públicas têm como propósito atuar como um elemento de criação de uma rede de relacionamentos capaz de integrar objetivos dos diversos públicos da organização, buscando administrá-los por meio da comunicação, participação, consenso e criação de compromisso.
            Assim, a comunicação não é somente usada para disseminar informações, mas também, é usada como uma estratégia para que a organização mantenha uma boa imagem, bons relacionamentos, alcance metas e objetivos. O processo comunicacional esta e deve estar em todas as atividades da organização. Conhecer, diagnosticar e planejar a cultura organizacional, é extremamente importante para as organizações, até mesmo em momentos de crise, onde se torna primordial conhecer a cultura e trabalhá-la para possíveis mudanças culturais. O processo de comunicação deve ser transparente, ético e tenha por objetivo estreitar relacionamentos, conquistar credibilidade, competitividade, qualidade e permanência. O seu empoderamento é percebido em organizações que se comunicam com os seus funcionários e estes se comunicam com os gestores e com os diversos públicos, ou seja, um via de mão dupla.

Um comentário:

  1. Claro que não é uma tarefa fácil, mas também não é impossível, uma vez que o próprio homem é um ser dialogante, mesmo quando monologa com "seus botões". Ora, se até "o silêncio fala", construir diálogos passa a ser uma exigência.
    Post interessante o teu e eu citei-te uma frase integrante num dos meus post. Se quiseres passar por lá é: http://www.devaneiosdevida.blogspot.com/.
    Se quiseres vê o post línguas visto sermos lusófonos. Se achares conveniente deixa comentário

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